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Duas pessoas de 75 anos podem apresentar condições de saúde completamente distintas, mesmo pertencendo à mesma faixa etária. De acordo com o Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, essa diferença está relacionada à heterogeneidade do envelhecimento, conceito que explica por que a idade cronológica não determina, isoladamente, as necessidades de cuidado de uma pessoa.
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Por que a idade não determina a condição de saúde?
O envelhecimento envolve transformações biológicas que não acontecem na mesma velocidade ou intensidade em todas as pessoas. Fatores genéticos, hábitos alimentares, atividade física, condições socioeconômicas e histórico de doenças influenciam esse processo. Dessa maneira, indivíduos nascidos no mesmo ano podem apresentar capacidades físicas e cognitivas bastante diferentes, mesmo quando compartilham características semelhantes de estilo de vida.
A idade cronológica informa quantos anos uma pessoa viveu, mas não revela completamente sua capacidade de enfrentar situações que exigem esforço ou adaptação. Um idoso pode conviver com doenças crônicas controladas e continuar independente, enquanto outro, sem diagnósticos considerados graves, pode apresentar dificuldades para caminhar, organizar compromissos ou realizar atividades domésticas. Essa diferença demonstra que a presença de doenças não representa, necessariamente, o grau de limitação funcional.
Nesse contexto, a formação do Doutor Yuri Silva Portela em geriatria permite relacionar o envelhecimento à necessidade de avaliações que considerem diferentes dimensões da saúde. Observar exclusivamente resultados laboratoriais ou diagnósticos pode deixar de revelar dificuldades importantes. Por isso, compreender como a pessoa vive, quais atividades consegue realizar e quais mudanças ocorreram em sua rotina contribui para uma avaliação mais abrangente.
Como a capacidade funcional influencia os cuidados? Descubra com o Doutor Yuri Silva Portela
A capacidade funcional corresponde à possibilidade de realizar atividades necessárias à vida cotidiana, incluindo alimentar-se, vestir-se, tomar banho e movimentar-se com segurança. Também envolve tarefas mais complexas, como administrar medicamentos, organizar despesas, preparar refeições e utilizar meios de transporte. A avaliação dessas habilidades ajuda a identificar o grau de independência e a necessidade de apoio em diferentes situações.

Dois idosos com hipertensão e diabetes, por exemplo, podem precisar de estratégias de acompanhamento completamente diferentes. Enquanto um consegue controlar os horários dos medicamentos, comparecer às consultas e manter hábitos adequados, outro pode apresentar dificuldades de memória, limitações motoras ou problemas visuais que comprometem a organização do tratamento. Embora os diagnósticos sejam semelhantes, as necessidades assistenciais não são necessariamente iguais, destaca o Doutor Yuri Silva Portela.
O que a fragilidade revela sobre o envelhecimento?
Na geriatria, a fragilidade representa uma condição de maior vulnerabilidade diante de situações que exigem adaptação do organismo, como infecções, cirurgias ou internações. Ela está associada à redução das reservas fisiológicas, responsáveis por ajudar o corpo a responder a diferentes situações de estresse. Entretanto, fragilidade não significa necessariamente dependência, assim como atingir uma idade avançada não determina automaticamente sua presença.
Uma pessoa com boas reservas fisiológicas pode enfrentar uma infecção e recuperar gradualmente sua rotina habitual. Outra, com maior vulnerabilidade, pode apresentar perda de força, redução da mobilidade e necessidade de assistência após o mesmo episódio. Essas diferenças ajudam a explicar por que determinados problemas de saúde provocam consequências muito distintas entre idosos da mesma idade, mesmo quando recebem tratamentos semelhantes.
Para o Doutor Yuri Silva Portela, a discussão sobre fragilidade está diretamente relacionada à importância de reconhecer riscos individuais durante o acompanhamento geriátrico. A observação da força muscular, da velocidade da caminhada, do histórico de quedas e de outras características clínicas pode contribuir para identificar situações que exigem atenção. Dessa forma, a avaliação não fica restrita à doença existente, considerando também a capacidade de recuperação e adaptação do organismo.
