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Tomar uma decisão de crédito raramente depende apenas de números. Em muitos casos, ela é influenciada pela urgência, pelo momento de vida e pela necessidade de adquirir um bem rapidamente. Para o empresário Tiago Oliva Schietti, compreender essa dimensão comportamental é tão importante quanto analisar taxas e contratos, pois grande parte das escolhas financeiras nasce da pressa, e não necessariamente do planejamento.
Essa diferença ajuda a explicar por que consórcio e financiamento coexistem há décadas no mercado brasileiro. Embora ambos permitam a aquisição de imóveis, veículos e outros bens, eles respondem a necessidades completamente diferentes. Enquanto um privilegia o acesso imediato ao crédito, o outro parte da lógica da compra programada. Saber identificar qual modelo faz sentido em cada situação pode representar uma economia significativa ao longo dos anos.
O preço da urgência nem sempre aparece na primeira simulação
O financiamento foi desenvolvido para atender quem precisa utilizar um bem imediatamente. Quem compra um imóvel para morar ou um veículo para trabalhar, por exemplo, dificilmente pode esperar anos até uma contemplação. Em troca dessa antecipação, a instituição financeira cobra juros que remuneram o risco da operação e o capital disponibilizado ao cliente.
Essa lógica faz com que o custo total da aquisição seja muito superior ao valor originalmente financiado. Dependendo do prazo contratado e das condições econômicas do período, o comprador pode pagar um montante bastante superior ao preço inicial do bem. Tiago Oliva Schietti retrata que muitas pessoas concentram sua atenção apenas no valor da parcela mensal e deixam de calcular quanto efetivamente desembolsarão até o encerramento do contrato.
O consórcio segue uma lógica completamente diferente
Ao contrário do financiamento, o consórcio não antecipa recursos por meio de uma operação de crédito tradicional. Os próprios participantes formam um fundo comum destinado à contemplação dos integrantes do grupo, seja por sorteio ou por lance. Isso explica por que não há cobrança de juros remuneratórios, embora existam custos como taxa de administração e outras despesas previstas contratualmente.
Essa característica faz do consórcio uma alternativa especialmente interessante para quem possui flexibilidade de tempo. Conforme evidencia Tiago Oliva Schietti, quando a aquisição pode ser planejada com antecedência, muitas famílias conseguem preservar seu orçamento e reduzir significativamente o custo financeiro da compra, transformando o consórcio em uma ferramenta de organização patrimonial e não apenas em uma forma de adquirir bens.

A economia também influencia qual modalidade faz mais sentido
O comportamento das taxas de juros exerce forte impacto sobre a decisão entre financiar ou aderir a um consórcio. Em períodos de política monetária mais restritiva, como ocorreu recentemente no Brasil para controlar a inflação, o crédito bancário tende a ficar mais caro, elevando o custo dos financiamentos e reduzindo o poder de compra das famílias.
Os próprios números do setor mostram essa mudança de comportamento. Tiago Oliva Schietti comenta que, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o sistema ultrapassou 11 milhões de participantes ativos, impulsionado justamente pelo aumento da procura por modalidades de aquisição planejada. Paralelamente, estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que consumidores com maior nível de educação financeira costumam comparar o custo total das operações, e não apenas a facilidade de acesso ao crédito, antes de tomar decisões de longo prazo.
A melhor escolha depende menos do produto e mais do objetivo
É comum encontrar comparações que tentam definir qual modalidade é superior de forma absoluta. Na prática, essa resposta não existe. Quem precisa utilizar imediatamente um bem essencial provavelmente encontrará no financiamento a solução mais adequada. Já quem possui horizonte de médio ou longo prazo pode descobrir que o consórcio oferece uma relação entre custo e planejamento muito mais compatível com seus objetivos. Sob essa perspectiva, Tiago Oliva Schietti destaca que uma boa decisão financeira começa pela identificação da necessidade real do consumidor. Quando a escolha considera fatores como prazo, orçamento, estabilidade financeira e finalidade da aquisição, o crédito deixa de ser apenas um meio de comprar um bem e passa a integrar uma estratégia mais ampla de organização patrimonial.
O crescimento simultâneo do financiamento e do consórcio demonstra que ambos possuem espaço dentro do mercado brasileiro, justamente porque atendem a perfis diferentes de consumidores. A decisão mais inteligente não é aquela baseada apenas na menor parcela ou na promessa de acesso imediato, mas sim na modalidade que melhor se adapta ao planejamento financeiro de cada pessoa. Ao compreender que a urgência também possui um custo muitas vezes invisível nas primeiras simulações, o consumidor amplia sua capacidade de comparar alternativas de forma racional. Mais do que escolher entre consórcio ou financiamento, passa a decidir qual instrumento financeiro é mais coerente com seus objetivos, seu momento de vida e sua capacidade de construir patrimônio de maneira sustentável.
