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O Ministério da Saúde anunciou, em 26 de junho, o início de um projeto piloto para uso da semaglutida em pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde.
A iniciativa, batizada de Real-Bari, é conduzida em parceria com o Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, e representa a primeira vez que o medicamento, princípio ativo das chamadas canetas emagrecedoras, passa a ser oferecido de forma estruturada dentro da rede pública brasileira. Durante a cerimônia de lançamento, o ministro Alexandre Padilha acompanhou a aplicação da primeira dose em um paciente do hospital.
A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor GLP-1, usada tanto no tratamento da obesidade quanto do diabetes tipo 2. Embora tenha se popularizado nos últimos anos por conta de medicamentos como o Wegovy, da farmacêutica Novo Nordisk, o composto ainda não está incorporado ao SUS. Em agosto de 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, a Conitec, havia recomendado não incorporar a semaglutida e a liraglutida ao sistema público, justamente após um pedido de incorporação feito pela própria Novo Nordisk.
Como funciona o projeto Real-Bari
O estudo vai acompanhar 250 pacientes do SUS por um período de dois anos, todos já em atendimento pelo Grupo Hospitalar Conceição. Os critérios de seleção são específicos: os participantes precisam ter diagnóstico de obesidade grave, ou obesidade associada a outras condições como comprometimento cardíaco, estabelecido há pelo menos 12 meses, além de indicação para cirurgia bariátrica. Também é exigido histórico documentado de falha em tratamentos clínicos convencionais, como dietas estruturadas e prática de atividade física por, no mínimo, dois meses, e capacidade do paciente de realizar a autoaplicação do medicamento ou contar com um cuidador para essa etapa.
Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo do estudo é avaliar três frentes principais: a efetividade clínica da semaglutida nesse perfil de pacientes, a segurança do uso a médio prazo e o custo do tratamento dentro da realidade do sistema público. O acompanhamento será feito por equipes multiprofissionais, reunindo diferentes especialidades no cuidado da obesidade, e os resultados devem gerar evidências brasileiras capazes de subsidiar uma futura decisão da Conitec sobre a incorporação definitiva do medicamento ao SUS.
Por que esse tipo de estudo importa
O contexto ajuda a entender a relevância da iniciativa. Em 2025, o SUS registrou 9,7 milhões de atendimentos relacionados à obesidade, um crescimento de mais de 50% em três anos, segundo dados do próprio Ministério da Saúde. Até aqui, os investimentos do governo nessa área têm se concentrado em ações preventivas, como as Academias da Saúde, já que medicamentos à base de semaglutida e liraglutida seguem fora da lista de tecnologias incorporadas ao sistema público. Sociedades médicas como a SBEM e a ABESO vêm defendendo há anos a inclusão de análogos de GLP-1 no SUS, até agora sem sucesso.
O ministro Padilha afirmou que a expectativa é que o uso desse tipo de tecnologia, inicialmente voltado ao diabetes e à obesidade, possa no futuro se estender a outras doenças crônicas. Vale reforçar que o projeto piloto não representa, por ora, a liberação ampla da semaglutida na rede pública: trata-se de uma fase de pesquisa, com número limitado de pacientes e localização específica no Rio Grande do Sul, cujos resultados só devem influenciar políticas públicas mais amplas depois de concluído o acompanhamento de dois anos.
O que fazer enquanto o medicamento não está disponível no SUS
Para pacientes que hoje enfrentam obesidade grave e não fazem parte do estudo, a orientação segue sendo buscar acompanhamento médico especializado pela rede de atenção já disponível no SUS, incluindo avaliação para outras alternativas terapêuticas existentes, como o próprio encaminhamento para cirurgia bariátrica quando indicado. Qualquer decisão sobre o uso de medicamentos para emagrecimento, dentro ou fora do sistema público, deve ser tomada exclusivamente com orientação médica, já que o tratamento da obesidade envolve avaliação individualizada de riscos, comorbidades e histórico clínico de cada paciente.
Fontes: tuyoube.com.br | Ministério da Saúde | Portal Afya
