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O ex-presidente da OAS, Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, alude que o Brasil vive um paradoxo conhecido de quem trabalha com grandes obras: a demanda por infraestrutura pesada nunca foi tão evidente, e a capacidade de transformá-la em projetos executados segue aquém do necessário. Rodovias saturadas, ferrovias subutilizadas, portos pressionados pelo agronegócio e um déficit histórico de saneamento compõem uma agenda que movimenta concessões bilionárias e programas públicos de investimento.
O momento é de inflexão. Depois de anos de investimento abaixo do necessário, sequer para repor a depreciação dos ativos existentes, o país reorganizou seu modelo em torno das concessões e parcerias com o setor privado, enquanto programas federais tentam destravar obras estruturantes. Leilões de rodovias, ferrovias, portos e, sobretudo, de saneamento vêm transferindo à iniciativa privada a responsabilidade por executar o que o orçamento público não alcança.
Esse redesenho muda também o perfil exigido das empresas de engenharia. Não basta saber construir: é preciso estruturar projetos financiáveis, gerenciar riscos complexos e entregar dentro de contratos cada vez mais rígidos. Entender os desafios e as tecnologias em jogo ajuda a enxergar o que está por vir na próxima década de grandes projetos brasileiros. Prossiga a leitura!
Tecnologia mudando a forma de projetar e construir
A resposta do setor passa, em boa medida, pela digitalização. A modelagem BIM aplicada à infraestrutura pesada permite integrar geometria, geotecnia, drenagem e interferências em um modelo único, reduzindo surpresas na execução e melhorando a comunicação com órgãos de controle. O governo federal, inclusive, tornou obrigatória a adoção progressiva do BIM em obras públicas, movimento que tende a padronizar o mercado.
No campo, drones e sensores fazem levantamentos topográficos e monitoram o avanço físico com precisão antes impensável, enquanto plataformas de gestão consolidam medições, ensaios e indicadores em tempo real. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim considera que o ganho dessas ferramentas está na capacidade de antecipar problemas: em obras de grande porte, identificar um desvio geotécnico ou logístico com semanas de antecedência pode significar a diferença entre um ajuste de rota e um litígio contratual.
Sustentabilidade como requisito de financiamento
A agenda climática deixou de ser periférica nos grandes projetos. Financiadores multilaterais e investidores institucionais condicionam recursos a critérios socioambientais verificáveis, o que empurra o setor para soluções como pavimentos com materiais reciclados, concretos de menor pegada de carbono, recuperação estrutural de ativos existentes em vez de substituição integral e projetos desenhados para resiliência a eventos climáticos extremos.

CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, Elmar Juan Passos Varjão Bomfim evidencia que essa última dimensão ganhou urgência após os desastres recentes no país, que expuseram a vulnerabilidade de estradas, pontes e sistemas de drenagem dimensionados para um clima que já não existe. Adaptar a infraestrutura ao novo regime de chuvas e secas será, provavelmente, uma das maiores fontes de demanda de engenharia das próximas décadas, ao lado da expansão das energias renováveis e das linhas de transmissão que as conectam ao sistema.
A reconstrução da capacidade de execução nacional
Depois da crise que desmontou boa parte das grandes construtoras brasileiras na década passada, o mercado de infraestrutura pesada se reorganizou com novos protagonistas: empresas médias que cresceram, grupos internacionais e companhias regionais que assumiram obras de complexidade crescente. Essa recomposição é saudável para a concorrência, mas exige investimento contínuo em gente, método e governança.
Programas de formação de mão de obra, parcerias com universidades e retenção de profissionais experientes viraram pauta estratégica. Na leitura de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a capacidade de execução se constrói projeto a projeto, combinando disciplina de gestão com a transferência de conhecimento entre gerações de engenheiros, um ativo que o país não pode se dar ao luxo de perder novamente.
Uma década decisiva para a infraestrutura brasileira
Os próximos anos concentrarão um volume raro de oportunidades: metas de universalização do saneamento, novos leilões de transporte, expansão da matriz renovável, obras de adaptação climática e a modernização logística exigida pela economia real. Se o país conseguir alinhar projetos bem estruturados, financiamento de longo prazo e segurança jurídica, a infraestrutura pesada pode se tornar o principal vetor de crescimento e produtividade da economia brasileira.
O desafio, como sempre, estará na execução. Transformar carteiras de investimento em ativos operando no prazo e no orçamento dependerá da maturidade técnica e gerencial das empresas do setor. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim conclui que é justamente nessa capacidade de entregar, com engenharia de qualidade, tecnologia bem aplicada e responsabilidade socioambiental, que se decidirá quem protagonizará o novo ciclo de grandes projetos no Brasil.
