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Sabesp reduz captação após queda no volume do manancial que abastece metade da Grande São Paulo, mas empresa descarta racionamento imediato.
Desde a quarta-feira, 1º de julho, o Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, passou a operar na Faixa 3, conhecida como faixa de alerta. A mudança foi definida pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em conjunto com a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), depois que o volume útil do sistema fechou junho em 39,87%, abaixo do patamar de 40% que separa a faixa normal da faixa de atenção redobrada. A notícia gerou uma dúvida imediata entre os moradores da Grande São Paulo: afinal, vai faltar água? A resposta, por enquanto, é não. Mas entender como funciona essa classificação por faixas, o que ela representa na prática e quais medidas podem ser adotadas nos próximos meses ajuda a separar o que é precaução do que seria, de fato, motivo de preocupação.
O que é a faixa de alerta e por que o Cantareira chegou a esse ponto
Para entender a mudança anunciada nesta semana, é preciso lembrar como funciona o modelo de operação por faixas do Sistema Cantareira. Criado pela Resolução Conjunta nº 925/2017, elaborada depois da crise hídrica de 2014 e 2015, o sistema divide o volume útil do manancial em faixas que vão da mais tranquila até a mais restritiva, cada uma associada a um limite diferente de captação de água pela Sabesp. Quando o volume útil está entre 30% e 40%, como ocorreu agora, o Cantareira entra na Faixa 3, chamada de alerta, e a companhia de saneamento passa a ter autorização para retirar até 27 metros cúbicos por segundo, uma redução em relação aos 33 metros cúbicos por segundo permitidos na faixa anterior.
O motivo dessa queda no volume útil está ligado ao início do período seco, que reduz naturalmente as chuvas na região Sudeste entre junho e setembro. Em maio, o sistema ainda registrava 40,52% de sua capacidade, número que já vinha em trajetória de queda desde o pico do período chuvoso. Na comparação com junho do ano passado, quando o Cantareira estava em 47,33%, a diferença chega a quase 19%, um recuo que os órgãos gestores atribuem a um ciclo de chuvas mais fraco entre 2025 e 2026, com volume equivalente a 62% da média histórica, contra 90% no ciclo anterior. Diante desse cenário, o sistema passou por uma revisão de metodologia nas últimas semanas, incorporando uma série histórica de quinze anos e considerando eventos climáticos como El Niño e La Niña, o que tornou o monitoramento mais sensível a oscilações como essa.
Como a mudança afeta o abastecimento de água na Grande São Paulo
A pergunta que mais interessa a quem mora na região atendida pelo Cantareira, cerca de metade da população da Grande São Paulo, é bem direta: o que muda na hora de abrir a torneira? Segundo a Sabesp, a resposta é: por enquanto, nada de imediato. A companhia afirma que não há previsão de racionamento nem de redução no fornecimento para os consumidores neste momento, já que a diminuição no limite de captação ainda está dentro da margem prevista para esse tipo de cenário. O que pode acontecer, caso os índices permaneçam na mesma faixa por sete dias consecutivos, é a aplicação da Gestão de Demanda Noturna, medida que reduz a pressão da rede de abastecimento durante os horários de menor consumo, geralmente de madrugada, sem impacto perceptível para a maior parte dos usuários.
Vale lembrar que o Sistema Cantareira não trabalha sozinho. Desde 2018, ele conta com uma interligação com o reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do Rio Paraíba do Sul, o que amplia a segurança hídrica da região em momentos de estiagem mais intensa. Formado pelos reservatórios Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, com capacidade útil de quase 982 bilhões de litros, o manancial também atende municípios das bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí, incluindo Campinas. Ainda assim, a ANA e a SP Águas reforçam que a entrada na faixa de alerta é justamente o momento em que medidas preventivas fazem mais diferença, evitando que o cenário evolua para faixas mais restritivas ao longo do período seco, que costuma se estender até setembro ou outubro.
O que fazer diante do novo cenário e o que esperar dos próximos meses
Diante da mudança de faixa, a orientação das agências responsáveis pela gestão do Cantareira é de bom senso: evitar desperdício, sem necessariamente mudar de forma radical a rotina. Isso inclui cuidados simples, como não deixar a torneira aberta enquanto escova os dentes, verificar vazamentos internos e externos, reaproveitar água da chuva ou de máquinas de lavar para limpeza e regar plantas em horários de menor evaporação. Esses hábitos, somados, ajudam a preservar o volume armazenado nos reservatórios sem que seja necessário recorrer a medidas mais drásticas de restrição.
Para os próximos meses, a expectativa dos órgãos gestores é que o comportamento do sistema seja monitorado diariamente, com dados de nível, vazão e armazenamento usados para orientar decisões operacionais. Caso o volume útil continue caindo e ultrapasse o piso de 30%, o Cantareira poderia avançar para uma faixa ainda mais restritiva, o que traria novas limitações de captação. Por outro lado, chuvas acima da média nos próximos meses podem estabilizar ou até reverter a tendência atual. De qualquer forma, o histórico recente mostra que São Paulo já passou por situações mais críticas, como a crise de 2014 e 2015, e que o sistema de faixas foi criado justamente para dar mais previsibilidade e evitar que decisões de emergência sejam tomadas às pressas. Acompanhar os boletins da Sabesp e da SP Águas nas próximas semanas é a melhor forma de saber se a situação melhora ou exige atenção redobrada.
A entrada do Sistema Cantareira na faixa de alerta é, antes de tudo, um sinal de atenção, não de crise iminente. A Sabesp já opera com regras claras para esse cenário, e a experiência acumulada desde 2015 deu à Grande São Paulo instrumentos melhores para lidar com períodos de estiagem sem recorrer a medidas extremas. Ainda assim, a mudança de faixa é um lembrete de que o consumo consciente de água faz diferença direta na segurança hídrica da região nos próximos meses. Para quem quer acompanhar a evolução do volume do manancial, os dados estão disponíveis publicamente nos sites da ANA e da SP Águas, atualizados diariamente. Enquanto o período seco avança, a recomendação prática segue simples: usar água com moderação e ficar de olho nos próximos boletins.
Fontes: Agência Brasil: https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2026-07/sistema-cantareira-em-sao-paulo-passa-operar-na-faixa-de-alerta SP Águas: https://www.spaguas.sp.gov.br/site/sistema-cantareira-passara-a-operar-na-faixa-de-alerta-em-julho/ Diário do Grande ABC: https://www.dgabc.com.br/Noticia/4332565/sistema-cantareira-entra-na-faixa-3-de-alerta-com-reducao-no-limite-de-retirada-pela-sabesp
