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Iniciativa no Rio Grande do Sul vai acompanhar 250 pacientes por dois anos para avaliar custo e eficácia da caneta emagrecedora no sistema público.
O Ministério da Saúde anunciou, na sexta-feira, 26 de junho, o início de um projeto piloto que leva a semaglutida, princípio ativo das chamadas canetas emagrecedoras, para dentro do Sistema Único de Saúde. A iniciativa, batizada de Real Bari, será desenvolvida no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, e vai acompanhar 250 pacientes com obesidade grave ao longo de dois anos. A notícia gera uma dúvida natural para quem convive com obesidade ou tem parentes nessa situação: será que a semaglutida vai chegar ao SUS de forma ampla, ou esse piloto é apenas um primeiro passo, ainda distante do acesso universal? Entender como o projeto foi desenhado, por que ele nasce em um contexto de recomendação contrária da Conitec e o que pode acontecer daqui para frente ajuda a esclarecer o alcance real dessa novidade.
Por que o Ministério da Saúde decidiu testar a semaglutida agora
O anúncio feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ocorre num momento em que o debate sobre o acesso a medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP 1 está longe de ser consenso dentro do próprio governo. Em agosto de 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, a Conitec, recomendou que o Ministério da Saúde não incorporasse a semaglutida nem a liraglutida ao SUS, principalmente por causa do custo. Segundo estimativas oficiais, incorporar amplamente esses medicamentos poderia gerar um impacto financeiro de R$ 8 bilhões por ano aos cofres públicos, valor considerado inviável diante do orçamento disponível.
Diante desse impasse, o projeto piloto surge como uma alternativa intermediária: em vez de decidir de forma definitiva pela incorporação ou pela recusa, o Ministério optou por testar o medicamento em um grupo controlado, dentro de um modelo de cuidado multidisciplinar, reunindo diferentes profissionais de saúde no acompanhamento dos pacientes. Serão contemplados 250 pacientes já atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição, que têm obesidade grave, muitas vezes associada a comprometimento cardíaco ou indicação para cirurgia bariátrica. Segundo dados apresentados pela própria unidade, 91% dos pacientes com obesidade atendidos ali apresentam a forma mórbida da doença, o que ajuda a explicar por que esse público específico foi escolhido para o estudo.
Como funciona o projeto Real Bari e o que ele pretende medir
O estudo batizado de Real Bari não se limita a distribuir o medicamento. Ele foi desenhado como um protocolo de pesquisa, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a equipe técnica do Grupo Hospitalar Conceição, justamente para garantir segurança aos participantes e estabelecer diretrizes claras de acompanhamento médico ao longo dos dois anos de duração. Além da aplicação da semaglutida, os pacientes vão receber suporte voltado à alimentação, à atividade física e a outros aspectos ligados ao tratamento da obesidade, o que caracteriza o modelo como multiprofissional, e não apenas farmacológico.
O objetivo declarado pelo Ministério é avaliar três frentes principais: a efetividade clínica do medicamento nesse perfil de paciente, a segurança do uso dentro da estrutura do SUS e, principalmente, o custo real da incorporação, informação que pode orientar decisões futuras sobre políticas públicas de combate à obesidade. Segundo o ministro Padilha, o Brasil está sendo pioneiro na utilização desse tipo de medicamento dentro de um sistema público de saúde, e a expectativa é que, além da obesidade e do diabetes, o aprendizado gerado possa eventualmente se estender a outras doenças crônicas. Os dados coletados ao longo do estudo serão usados para subsidiar debates futuros sobre a ampliação, ou não, do acesso à semaglutida pelo SUS.
O que essa iniciativa significa para quem depende do SUS hoje
É importante ter clareza sobre o alcance imediato desse anúncio: por enquanto, o acesso à semaglutida pelo SUS está restrito aos 250 pacientes selecionados dentro do projeto piloto em Porto Alegre, não havendo, neste momento, disponibilização do medicamento para a população em geral pela rede pública. Para quem busca tratamento da obesidade fora desse programa, o caminho dentro do SUS continua sendo o acompanhamento multiprofissional já oferecido pela rede, que pode incluir acesso a outros medicamentos e, em casos indicados, a cirurgia bariátrica.
Ainda assim, o piloto tem valor simbólico e técnico relevante. Ele acontece em um contexto de crescente preocupação com o uso irregular de canetas emagrecedoras fora de prescrição médica, incluindo casos de venda clandestina já registrados pela polícia em diferentes estados, o que reforça a importância de um estudo conduzido dentro de protocolos de segurança bem definidos. Caso os resultados do Real Bari mostrem custo-benefício favorável, é possível que o Ministério da Saúde volte a discutir a incorporação do medicamento de forma mais ampla nos próximos anos, mas essa decisão dependerá diretamente dos dados que ainda serão produzidos ao longo dos dois anos de acompanhamento previstos.
O projeto piloto com semaglutida no SUS representa um passo cauteloso, e não uma mudança imediata na forma como o sistema público trata a obesidade no Brasil. Ao optar por testar o medicamento em um grupo controlado antes de decidir sobre sua incorporação ampla, o Ministério da Saúde busca equilibrar o interesse legítimo de pacientes com obesidade grave e a responsabilidade de gerir um orçamento público limitado. Nos próximos dois anos, os resultados do Real Bari devem se tornar referência para o debate sobre o acesso a medicamentos de alto custo dentro do SUS, tema que tende a ganhar ainda mais espaço à medida que o uso de canetas emagrecedoras se populariza no país.
Este texto tem caráter informativo e não substitui orientação médica. Pacientes com obesidade devem buscar acompanhamento profissional para avaliar o tratamento mais adequado ao seu caso.
Fontes: Ministério da Saúde: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/junho/ministerio-da-saude-inicia-projeto-piloto-com-semaglutida-em-hospital-federal-de-porto-alegre Jornal do Comércio: https://www.jornaldocomercio.com/geral/2026/06/1254145-ministerio-da-saude-inicia-projeto-piloto-com-semaglutida-no-sus.html Band: https://www.band.com.br/saude/noticias/ministerio-da-saude-inicia-projeto-piloto-com-canetas-emagrecedoras-no-sus-202606261545
