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Pesquisa da YouPix mostra que o esgotamento é mais comum entre quem ganha até R$ 2 mil por mês e revela como o setor começa a buscar suporte profissional.
O ritmo acelerado exigido de quem produz conteúdo na internet tem cobrado um preço alto da saúde mental dessa categoria de trabalhadores. O estudo Creators e Negócios 2025, realizado pela YouPix, revelou que aproximadamente 53% dos influenciadores brasileiros já sofreram burnout, um índice que acende um alerta importante sobre o bem-estar emocional desse mercado, especialmente entre os criadores que ganham menos. O dado chama atenção justamente por reforçar uma dúvida recorrente entre quem acompanha o universo dos criadores: por que tantas pessoas que parecem ter uma rotina glamorosa nas redes relatam tanto desgaste físico e emocional. SEGS
A resposta passa por entender como funciona, na prática, a engrenagem da produção de conteúdo digital. De acordo com o levantamento, o problema é ainda mais persistente entre criadores com renda de até R$ 2 mil mensais, faixa considerada a mais vulnerável dentro do setor. Isso mostra que o burnout não está restrito a quem já alcançou grande visibilidade, mas atinge com força ainda maior quem está nas etapas iniciais da carreira, tentando se firmar em um mercado cada vez mais competitivo e exigente. SEGS
O burnout, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como um fenômeno ocupacional, é caracterizado por exaustão emocional, sensação de distanciamento do próprio trabalho e queda na percepção de realização profissional. Entender como esse quadro se manifesta entre criadores de conteúdo, e quais caminhos o próprio setor já está adotando para lidar com o problema, ajuda tanto criadores quanto seguidores a compreenderem melhor os bastidores de uma profissão que, à primeira vista, parece descomplicada.
Por que o burnout afeta tanto quem cria conteúdo
A rotina de quem vive de produzir vídeos, posts e transmissões ao vivo costuma envolver muito mais funções do que aparece para o público. Segundo Fabio Gonçalves, diretor de talentos da Viral Nation e especialista em marketing de influência há mais de dez anos, o mercado atual exige velocidade, múltiplas habilidades e resultados imediatos, e muitos criadores, principalmente os que ainda ganham pouco, acumulam funções de roteiristas, editores, apresentadores, comerciais e analistas de performance ao mesmo tempo. Essa sobrecarga de papéis, somada à pressão constante por relevância, cria um terreno propício para o desgaste contínuo, já que o criador raramente consegue se desconectar totalmente do trabalho. SEGS
Outro fator que agrava o quadro é a comparação constante com outros criadores e a ansiedade gerada pela espera de oportunidades. O especialista explica que a pressão pela constância não dá pausas, e a comparação inevitável com criadores maiores aumenta a sensação de insuficiência, o que, para quem ainda está tentando monetizar o próprio trabalho, se soma à ansiedade por oportunidades que demoram a chegar, formando uma equação emocionalmente complexa que precisa ser discutida com responsabilidade. Esse cenário ajuda a explicar por que o problema atinge de forma desproporcional os criadores com menor renda, que muitas vezes não têm estrutura nem suporte profissional para dividir essas demandas. SEGS
A instabilidade financeira característica da profissão também entra na equação do esgotamento. Diferente de um emprego formal, a renda de um criador de conteúdo pode variar bastante de um mês para o outro, dependendo de parcerias, do desempenho dos vídeos e das mudanças constantes nos algoritmos das plataformas. Essa imprevisibilidade financeira, combinada com a exigência de presença diária nas redes, contribui para um quadro de tensão permanente que pode evoluir para ansiedade, exaustão física e, em casos mais avançados, depressão.
O que os números da pesquisa revelam sobre o setor
Além do índice geral de burnout, a pesquisa da YouPix trouxe outros dados que ajudam a entender como os próprios criadores estão lidando com o problema. O levantamento mostrou que 41% dos creators afirmaram estar fazendo algum tipo de acompanhamento profissional para melhorar a saúde mental, enquanto 16% disseram estar selecionando os trabalhos com maior cuidado como forma de proteger o próprio bem-estar. Esses números indicam que parte do mercado já reconhece o problema e está adotando medidas individuais para reduzir o impacto do esgotamento na rotina profissional. SEGS
Esse movimento de busca por equilíbrio também está relacionado à maturidade crescente do setor de criadores no Brasil. Segundo Gonçalves, o fenômeno também está relacionado ao amadurecimento do mercado, que começa a se tornar mais competitivo e com barreiras mais altas para quem deseja se profissionalizar, o que torna ainda mais necessário discutir saúde mental como parte central da carreira, e não como um assunto secundário. A pesquisa foi conduzida com uma amostra representativa do setor no Brasil. A sexta edição do estudo Creators e Negócios 2025 foi realizada entre 15 de julho e 15 de setembro de 2025, por meio de formulário on-line e aquisição de painel, reunindo 490 respostas válidas de uma base de 527 respondentes. SEGSSEGS
Apesar da metodologia ter um recorte específico, os resultados conversam com pesquisas internacionais sobre o tema, o que reforça que o esgotamento entre criadores de conteúdo não é uma particularidade do mercado brasileiro, mas um padrão observado globalmente nessa categoria de trabalho digital. Um estudo da Universidade de Glasgow já havia apontado que 90% dos influenciadores digitais trabalham mais de 50 horas por semana e que 35% relatam problemas de saúde mental relacionados à pressão de estar sempre on-line. Creators
Caminhos para lidar com o esgotamento na criação de conteúdo
Diante desse cenário, o papel de agentes e agências vem ganhando espaço como uma forma de aliviar parte da sobrecarga enfrentada pelos criadores. Segundo o especialista, ter um agente ou uma agência por perto não é uma regra, mas ajuda bastante a distribuir responsabilidades, estruturar oportunidades e permitir que o criador foque no conteúdo sem se sobrecarregar, já que criadores com pouca estrutura são os mais expostos ao burnout justamente porque precisam fazer tudo sozinhos, sem suporte e sem garantia de retorno financeiro. Esse acompanhamento profissional pode incluir desde a organização de cronogramas mais saudáveis até a seleção de parcerias alinhadas ao perfil de cada criador, reduzindo a necessidade de aceitar todo tipo de trabalho por medo de ficar sem renda. SEGS
Para quem cria conteúdo de forma independente, sem agência, alguns cuidados básicos de saúde mental se aplicam da mesma forma que em qualquer outra profissão de alta demanda. Definir horários específicos para produção e descanso, evitar checar métricas de engajamento fora do horário de trabalho e buscar apoio profissional, como psicólogos especializados em saúde ocupacional, são medidas que podem ajudar a reduzir o impacto da pressão constante imposta pelas plataformas e pelo público.
Vale lembrar que sinais persistentes de exaustão emocional, perda de interesse pelo próprio trabalho e dificuldade de desligar mentalmente das demandas profissionais merecem atenção e, idealmente, avaliação de um profissional de saúde mental qualificado, já que apenas um médico ou psicólogo pode identificar corretamente o quadro e indicar o tratamento mais adequado para cada caso. O reconhecimento crescente do burnout como um problema estrutural do mercado de criadores é um passo importante para que o setor desenvolva, nos próximos anos, formas mais consistentes de apoio a quem vive da produção de conteúdo digital.
Fonte: SEGS Portal Nacional de Seguros (link)
Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação médica ou psicológica individual. Caso você ou alguém que você conheça esteja enfrentando sinais de esgotamento emocional, é recomendável buscar apoio de um profissional de saúde qualificado.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
